Gosto em particular de dois aspectos do texto de Sacristán que apresentei na última postagem. O primeiro deles é o relevo que ele dá para a educação enquanto processo real, efetivo, realizado, concreto.
Em minha dissertação de mestrado faço a mesma crítica ao discutir o afastamento entre a educação do discurso e a educação da prática, relevando a importância do surgimento da educação da práxis. A escola a que chamo de missioneira peca muito pela idealização de um modelo educacional que, embora progressista, conflita com práticas conservadoras. Sacristán também atenta para isso, o que considero realmente importante.
Gosto também da percepção que tem de que o processo educativo vai para além da relação professor-aluno. Bem sabemos que este é o campo privilegiado na educação, sem dúvida, mas cada vez mais tem-se destacado o quanto o processo educativo é múltiplo, complexo, amplo e de desdobramentos inimaginados. Contemplar essa dimensão é vital.
É verdade que falta a esta dimensão os processos educativos extra-escolares, sejam eles institucionalizados ou não. Isso merece uma boa discussão. Estes processos são apontados por Gimeno Sacristán, estando situados no campo da cultura. Mas a discussão do significado de cultura e de sua relação com a escola merece outras discussões mais acaloradas.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
A Escola Real de Gimeno Sacristán
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Edson Martins
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12:12 PM
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Lendo o Sacristán
Neste final de semana terminei a leitura do capítulo VI de um livro do Gimeno Sacristán intitulado Compreender e Transformar o Ensino.
Ainda estou no movimento de refletir sobre o texto, mas ficam algumas impressões para começar:
- o currículo para Sacristán é processo e por isso deve ser visto como mais do que um ordenamento lógico de processos de aprendizagem e muito mais do que uma listagem de conteúdos a serem trabalhados;
- o currículo deve dar conta do que realmente é aprendido por aluno. Este "realmente aprendido" está no chamado currículo oculto, e não nas formulações teóricas feitas normalmente nos gabinetes da educação. Neste currículo oculto, muito mais do que os conteúdos, valem as atitudes, valores, comportamentos e a cultura;
- por falar em cultura é ela a razão de ser do fazer currícular para Sacristán: oferecer instrumentos para que o aluno acesse a cultura presente na sociedade;
- outro aspecto importante:para Sacristán são todos os níveis presentes no processo educativo que interessam em termos curriculares: é o sistema de ensino. Aqui o autor desfoca a questão da relação professor-aluno e percebe a importância do sistema oficial, dos demais profissionais da escola, da cultura escolar, do espaço físico, entre outros aspectos.
É isso....sigamos refletindo...
Postado por
Edson Martins
às
8:57 AM
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